terça-feira, 16 de setembro de 2008

A marca de uma lágrima seca em sua folha de caderno.

A lágrima seca.

Eu tenho pensado bastante que estou morrendo, que estou doente e toda essa bosta inteira de pessimismo. Meus exames têm tido resultados ruins, todos eles. TC, RM, Sangue, o único que aparentemente passou no teste foi o de urina. Sabe quando dá uma vontade imensa de sair correndo de todos esses valores éticos – que não valem de porra nenhuma - dessa merda de sociedade precária e composta de imbecis?

Ora, se estou morrendo cedo ou não eu não sei. Mas o que eu quero é sentir os prazeres da vida enquanto ainda estiver aqui. Sem essa lorota toda de fazer as coisas “certinhas” ou de seguir valores pessoais antigos. Detesto olhar pro lado e ver a porra do mundo estagnado em torno de uma opinião que se fez ou algo que se escolheu há algum tempo atrás. Tem gente que só muda depois de três anos e isso me enoja. Pra falar a verdade, às vezes me enojo com uma semana apenas. Porque eu também prefiro ser e ver essa metamorfose ambulante, Raul, que nós somos e que todo mundo deveria ser. Se o cara escolheu ter um Cadilac ano passado e ainda está com ele hoje, só vejo estagnação. E é assim para as outras escolhas também, até as mais banais. Eu não quero usar azul todos os dias. Eu quero é sair e beber aquelas cervejas, pão com ovo já deu o que tinha que dar. Quero comer picanha até eu vomitar tudo na privada da churrascaria e voltar para comer mais, e amanhã comer aquele delicioso arroz com verniz. Essas camisas do flamengo não vestem mais bem em ninguém. Mas ninguém nota ou não quer notar por causa de uma honra pessoal babaca que vai levar pro túmulo. Só lamento. Eu visto qualquer camisa e beijo qualquer bandeira que me estiver sendo mais valiosa no momento. E a validade original do momento é plena e absoluta por pouco tempo. Ninguém deveria ser guitarrista por muito tempo, isso é a decadência do ser.

Cansei. Hoje em dia ninguém entende mais metáfora nenhuma e mais nenhuma crítica ou protesto. Estou gastando minha energia para no final só meia dúzia de pessoas entenderem o que quero dizer. E se eu fosse clara o suficiente, levaria sermão ou me jogariam na fogueira. Se até hoje as pessoas pensam que a música “Cálice”, de Gilberto e Chico, fala sobre alcolismo, nada mais quero dizer.
É triste.
Não me canso de repetir que apenas os prudentes e discretos sorrirão.



“Como não alimentar o ódio em meu olhar
Se a dor da traição aumenta cada vez
Que me lembro de teu discurso febril
Escondendo a foice em teus olhos”

3 comentários:

Nicky disse...

acabei me inspirando rapidamente nisso e resolvi fazer um post no meu blog. Não leve a mal, mas refuto tudo o q vc diz! rs
Não é pessoal, vc sabe disso... eu só precisava desabafar um pouco sobre isso também.

Repetindo: NÃO leve a mal, ok? rs

bjsss

Anônimo disse...

ahhhh..adorei a parte q vc diz das pessoas q axaum q a msk calice fala de alcolismo!! arraso!!
amiga..tu arrasa..e ó..TOCA raul e td sua poesia neh naum??
METAMORFOSE madafoquer!!

Nicky disse...

Sim, ótimo comentário o seu. Realmente nem pensava em vc quando escrevi. Até estranhei seu post, mas algumas coisas que vi escritas nele me fizeram lembrar de pessoas parecidas com o que descrevi aqui, e por isso resolvi dizer tudo isso.
Agora entendo perfeitamente o que quer dizer. Não se trata de ser inconstante (e talvez seu post tenha sido apenas uma catarse). Acho que agora peguei o ponto. Aliás, se quiser conversar sobre isso, fique à vontade. Todos temos problemas e dilemas pessoais, daqueles bem íntimos que achamos que mais ninguém irá compreender. Mas mesmo nesses casos, é possível cosneguir algum conforto ao compartilhá-los com outra pessoa.